Rede de escuta e saberes feministas promove formação política e combate ao assédio na obra do Campus Arandu

Com foco na equidade de gênero, proposta cria espaços de acolhimento e oficinas de combate ao assédio para trabalhadoras e mulheres da comunidade

Atividade do projeto realizada com a Patrulha Maria da Penha realizada em prol do Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra Meninas e Mulheres. Foto: Pauline Madureira/UNOPS

Criar espaços seguros de acolhimento e formação política voltados especialmente às mulheres que atuam na obra e na comunidade do entorno, é um dos objetivos do projeto de extensão “Kuña Arandu: Rede de Escuta, Diálogo e Saberes”, que integra um conjunto de cinco propostas de extensão selecionados pelo Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS), escritório da ONU especializado em infraestrutura, em parceria com a Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). A denominação da iniciativa combina o termo guarani “Kuña” (mulher) com a referência “Arandu” (sabedoria), reforçando seu caráter simbólico e cultural. 

A dinâmica do projeto envolve oficinas de formação como espaços de construção coletiva de conhecimento. Por meio de técnicas de escuta participativa e compartilhamento de saberes, são realizados ciclos formativos de educação popular feminista que abordam temas como opressões de gênero, patriarcado, colonialismo, racismo e combate ao assédio. As ações estão alinhadas a datas nacionais de luta, propondo campanhas educativas e atividades em conjunto com a Patrulha Maria da Penha, com o objetivo de dar visibilidade às formas de resistência exercidas no dia a dia.  

“O UNOPS estabelece padrões globais de infraestrutura sustentável e inclusão de gênero, como estratégias específicas para participação de grupos prioritários nos projetos e campanhas da ONU contra violência, elevando o projeto a um nível profissional e internacional”, avalia a professora do departamento de História da UNILA e coordenadora do projeto, Cleusa Gomes. Ela explica que a iniciativa busca transformar a realidade de um setor historicamente masculino através do cuidado coletivo.  

Ação de sensibilização à violência contra mulheres realizada em parceria com o projeto no canteiro de obras do novo campus da UNILA. Foto: Pauline Madureira/UNOPS

Para os bolsistas, a experiência permite desnaturalizar desigualdades no ambiente de trabalho e aplicar a teoria na prática. “Desejamos que a presença do projeto Kuña Arandu contribua para a criação de um novo campus com respeito às mulheres e valorização das identidades de gênero”, pontua o estudante do Programa de Pós-Graduação em Educação e bolsista, Lito Ribeiro.  

A diversidade da equipe também é vista como um ponto forte para a formação humana dos participantes. “É na diversidade que o projeto encontra sua força, e é dela que nasce a esperança de um futuro mais justo”, relata Camila López, estudante de licenciatura em Antropologia e bolsista do projeto, mencionando o convívio com colegas de diferentes trajetórias sociais. Ao visitar a obra, ela reforça o sentimento de pertencimento. “Estar presente nesse espaço me fez sentir que, de alguma forma, estou contribuindo para algo que vai muito além do momento atual: a criação de uma oportunidade concreta de educação pública, gratuita e de qualidade”, ressalta.

Sobre o programa de extensão

Os projetos de extensão desenvolvidos no Campus Arandu são financiados pela Itaipu Binacional no âmbito do acordo de cooperação internacional entre a binacional e o UNOPS para a retomada das obras do novo campus. No segundo semestre de 2026 ainda será publicada uma nova chamada para seleção de projetos, com 10 novas bolsas ofertadas para alunos da UNILA.

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