Iniciativa busca democratizar o acesso à arquitetura do novo campus e resgatar narrativas ancestrais do território

O projeto “Modelação Arquitetônica Tátil e Sensorial”, desenvolvido por alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo da UNILA, foi selecionado para integrar o programa de extensão desenvolvido no contexto da retomada das obras do Campus Arandu, com a proposta de ir além da representação física tradicional das maquetes e promover uma leitura decolonial sentipensante — abordagem que une o rigor científico às experiências humanas locais — do espaço. A iniciativa incorpora elementos que dialogam com a ancestralidade Guarani, o conceito de Abya Yala e a Amefricanidade, integrando a arquitetura ao olhar e às experiências dos povos latino-americanos. O projeto integra um conjunto de cinco propostas de extensão selecionadas pelo Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS), escritório da ONU especializado em infraestrutura, em parceria com a Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA).
A proposta se divide em três frentes de atuação tecnológica e estética. A primeira é a “Maquete Virtual & IA”, que combina modelagem digital e inteligência artificial para criar ambientes imersivos baseados no realismo mágico e em atmosferas surrealistas. A segunda é a “Maquete Acessível Invisual”, um modelo tátil e multissensorial destinado a pessoas cegas ou com baixa visão, democratizando a leitura arquitetônica. Por fim, as “Instalações Multimídia” reunirão essas produções em espaços de exibição que misturam arte e tecnologia, convidando a comunidade a refletir sobre novas formas de imaginar e sentir o território.
“Ao registrar práticas, experiências e narrativas vinculadas ao Campus Arandu, contribuímos para fortalecer uma memória que não é apenas institucional, mas também comunitária, evitando que sua história seja apagada ou reduzida a documentos formais”, defende o bolsista Rafael Cavalheiro. Ele destaca ainda a importância do aprendizado com os padrões internacionais. “Tenho aprendido a trabalhar com padrões de qualidade em nível ONU, onde o compromisso vai além da entrega do produto final e considera principalmente o impacto social que ele terá”, destaca.

Para a equipe, ver a retomada da construção despertou sentimentos profundos sobre a concretização de projetos de vida. “Ver a obra tomando forma diante de mim trouxe uma sensação profunda de materialização, não só do concreto, mas de sonhos que antes pareciam distantes demais para acreditar”, descreve o da UNILA e bolsista Eduardo Efrain Mendoza ao relembrar de quando estudou o projeto de Niemeyer na teoria. “Percebi que certos lugares têm esse poder de nos fazer reencontrar versões anteriores de nós mesmos e de iluminar, com delicadeza, tudo o que ainda estamos construindo”, reflete.
Sobre o programa de extensão
Os projetos de extensão desenvolvidos no Campus Arandu são financiados pela Itaipu Binacional no âmbito do acordo de cooperação internacional entre a binacional e o UNOPS para a retomada das obras do novo campus. No segundo semestre de 2026 ainda será publicada uma nova chamada para seleção de projetos, com 10 novas bolsas ofertadas para alunos da UNILA.
Conheça os outros projetos:
- Oscar e a UNILA (Em breve)
- Gestão Sustentável de Resíduos da Construção Civil
- Kuña Arandu: Rede de Escuta, Diálogo e Saberes (Em breve)
- Desenvolvimento do Potencial Empreendedor Local (Em breve)


