Extensionistas do projeto Kuña Arandu promovem ação de conscientização sobre violência de gênero 

Panfletagem percorreu escritórios da obra do Campus Arandu para dialogar com trabalhadores sobre serviços de apoio às vítimas e cultura de respeito

Diálogo também reforçou a importância da participação dos homens no debate sobre violência de gênero. Foto: Camila Rojas López/UNOPS

Na última quarta-feira, dia 20, extensionistas do projeto “Kuña Arandu: Rede de Escuta, Diálogo e Saberes” realizaram uma panfletagem focada na divulgação dos serviços da rede de enfrentamento à violência de gênero no município de Foz do Iguaçu. A ação ocorreu diretamente no canteiro de obras do novo Campus Arandu da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA).

Ao todo, a equipe percorreu os escritórios das mais de 20 empresas que estão presentes no local e dialogou com aproximadamente 80 trabalhadores. O principal objetivo da ação foi informar sobre a rede de serviços e ajudar as pessoas a identificarem as diversas formas de violência, como a física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. Ao saber reconhecer esses tipos de agressão, as pessoas que trabalham no canteiro de obras podem agir mais rapidamente em busca de ajuda  e/ou apoio às vítimas, que precisam de cuidado e assistência. 

Esta panfletagem é mais uma das atividades contínuas de conscientização realizadas em parceria com o projeto de extensão “Kuña Arandu: Rede de Escuta, Diálogo e Saberes” voltadas para as pessoas que trabalham nas obras do Campus Arandu. Em novembro do ano passado, a equipe promoveu dinâmicas de conscientização nos 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres e também realizou uma roda de conversa com a Patrulha Maria da Penha. 

Nos últimos anos, as mulheres têm aumentado a sua participação em áreas historicamente ocupadas pelos homens, inclusive na construção civil. Embora os dados do Ministério do Trabalho e Emprego indiquem que as mulheres representam 11,1%, os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que desde 2007 a presença feminina no ramo aumentou em 120%.

Essa mudança cultural necessária impõe também a necessidade de uma transformação no ambiente de trabalho, voltada para o reconhecimento das práticas de discriminação e para a criação de ações de acolhimento e solidariedade diante de situações de violência de gênero. “Levar a rede de serviços à obra mostra que a violência não é ‘externa’. Nosso objetivo é, a partir da solidariedade, contribuir com um ambiente digno, livre de assédios e piadas machistas”, destaca Camila Rojas López, extensionista do projeto.

Extensionistas orientam os profissionais do canteiro de obras do Campus Arandu sobre tipos de violência e canais de denúncia. Foto: Lito Ribeiro/UNOPS

Durante a panfletagem, os extensionistas destacaram as maneiras pelas quais a violência de gênero pode se manifestar no ambiente de trabalho, seja de forma direta ou sutil. A meta é conscientizar os profissionais e promover um ambiente de trabalho estruturado na cultura do respeito mútuo, garantindo segurança e dignidade para todas as pessoas. “A participação dos homens nesse debate é fundamental, e trazer esse assunto é a oportunidade para que possam rever suas práticas e atuar por um ambiente de trabalho igualitário”, reforça o extensionista do projeto, Lito Ribeiro.

A atividade realizada no canteiro integra a política do UNOPS de gênero, diversidade e inclusão (GDI), e para a especialista em GDI do UNOPS, Ana Laura Lobato, falar sobre violência de gênero para trabalhadores da construção civil ajuda a promover ambientes de trabalho mais seguros, respeitosos e representativos. “É preciso promover espaços seguros para que as mulheres se sintam cada vez mais confortáveis em trabalhar na construção civil. Ambientes diversos tendem a gerar melhores resultados e impulsionar transformações positivas tanto nas equipes quanto nas comunidades impactadas pelos projetos”, defendeu.

 A iniciativa ainda reforça a importância da extensão universitária na troca de conhecimentos com a  comunidade local e com os trabalhadores que constroem o novo campus. “Ações como essa evidenciam que a obra vai além da infraestrutura física, atuando também como um espaço de educação cidadã, igualdade e fortalecimento dos direitos humanos”, concluiu Ana Laura.

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