Em proposta conceitual, projeto acadêmico imagina transformar a área de estacionamento em um ambiente vivo de convivência e integração.

Estudantes do curso de bacharelado em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) realizaram nesta quinta-feira, dia 26, uma visita técnica de imersão no canteiro de obras do novo Campus Arandu. Acompanhados pela equipe técnica do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS), os alunos foram a campo para acompanhar a retomada das obras e visualizar a dimensão da área do estacionamento do novo campus para desenvolver um projeto imaginário conceitual de moradia estudantil.
A disciplina na qual o projeto será desenvolvido, foca na criação de edifícios de grande complexidade e é voltada para alunos do sétimo período do curso que já atuam como “pré-arquitetos”. A professora Celina Veríssimo, vice-coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo da UNILA, explica o escopo do desafio. “O projeto que vamos desenvolver é de uma moradia estudantil para 450 estudantes, onde 10% do espaço também será destinado para familiares de estudantes”, esclarece.
Projeto e arquitetura sustentável
A proposta idealizada pela turma propõe ocupar o local onde hoje está previsto o estacionamento norte do Campus Arandu. Embora a intervenção não tenha aplicabilidade prática, uma vez que o projeto possui o título de obra-patrimônio de Oscar Niemeyer, ela funciona como forma de aprendizagem para estudantes que pensam o projeto em prol do futuro sustentável. A visão do grupo é que, com o avanço do debate sobre mudanças climáticas e a necessária priorização do transporte público como principal meio de locomoção, o número de vagas exigidas para veículos particulares será menor no futuro.
Além do viés ambiental, a proposta também atua como uma ferramenta para que a comunidade acadêmica comece a se conectar com o novo prédio. Para a aluna Marizete Fabiana dos Santos, a ida ao canteiro mudou a forma de enxergar o trabalho. “A proporção muda completamente a nossa visão. É uma obra monumental”, conta.
A estudante Liz Mayna Nogueira reforça que a experiência traz a universidade para mais perto dos alunos. “Quando a gente faz o projeto [da moradia estudantil], mesmo que no imaginário, dá uma sensação de pertencimento ao espaço”, destaca.

De estudante para estudante
Pensar a própria moradia permite que os acadêmicos ainda incorporem suas reais necessidades ao projeto. Após a visitação eles agora pensam em espaços que respeitem a rotina de quem estuda de madrugada, e que também ofereçam áreas de convivência para promover a integração entre a comunidade universitária e a população local.
Para o estudante colombiano Yeison Perdomo Garcia, a infraestrutura deve dialogar não apenas com o concreto, mas sim com o conforto, pluralidade cultural e a acessibilidade. “Com foco na integração latino-americana e nas necessidades de estudantes estrangeiros, nosso desafio é projetar uma moradia confortável que garanta boa locomoção e acolhimento”, pontuou.
A expectativa para a conclusão e funcionamento do Campus Arandu é imensa entre os futuros arquitetos. Para a turma, além de uma nova infraestrutura, o complexo representa a união da universidade, que atualmente tem seus cursos divididos em diferentes pontos de Foz do Iguaçu. “A unificação da UNILA vai ser uma experiência incrível para conhecer novas culturas e costumes”, conclui Marizete.


