Projeto de extensão entregou maquetes acessíveis para pessoas com deficiência visual e representações utópicas do futuro do campus

A criação de maquetes volumétricas e táteis para pessoas com deficiência visual aliada ao uso de inteligência artificial e impressão 3D marcou as entregas do projeto “Modelação Arquitetônica Tátil e Sensorial” no contexto do Campus Arandu. Desenvolvida para superar o modelo tradicional de maquetes a partir de uma abordagem inclusiva e decolonial, a iniciativa encerra um ano de atuação no primeiro ciclo de extensão realizado em cooperação entre a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), através da Pró-reitoria de Extensão (PROEX), e o Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS).
Na prática, os estudantes entregaram três produtos principais: uma maquete volumétrica que serviu para interações com o público, uma maquete acessível invisual (tátil) para pessoas cegas, e um catálogo de imagens geradas com auxílio de Inteligência Artificial que projeta a universidade de forma idealizada para os próximos 50 anos.
O bolsista Eduardo Mendoza, egresso do curso de Arquitetura e Urbanismo na UNLA, ressalta que o uso de ferramentas tecnológicas assumiu um papel central para democratizar o acesso à arquitetura da universidade. “A criação de uma maquete acessível permitiu que todas as pessoas pudessem entender o projeto de Oscar Niemeyer e as suas características físicas, como as formas dos prédios e a sua monumentalidade”, destaca.
Já para o bolsista do mesmo curso de graduação, Rafael Cavalheiro, o modelo interativo engajou fortemente o público durante as dinâmicas de apresentação. “A maquete volumétrica funcionou como uma verdadeira lousa em branco, onde os participantes literalmente desenharam a instituição que queremos: diversa, inclusiva, acessível e sustentável”, relata.
A pró-reitora de extensão, Andréia Andréia da Silva Moassab, avalia que a iniciativa extensionista responde diretamente a um desejo antigo da instituição. “O programa surgiu de uma inquietação da reitoria sobre como fazer com que a comunidade acadêmica se envolvesse na construção do campus”, explica. Essa parceria reforça a necessidade de olhar além do momento atual de edificação, como observa a especialista do UNOPS Ana Laura Lobato. “A importância de ter a comunidade presente é pensar em como será o impacto desta obra depois na vida dessas pessoas”, pontua.


