Equipe de obras do Campus Arandu integra pessoas privadas de liberdade e fortalece compromisso com a ressocialização

Iniciativa impulsionada pelo UNOPS e executada pelo Consórcio MPD e Ankara UNILA faz parte de esforço para inclusão de grupos prioritários no canteiro Nesta semana, o canteiro de obras do Campus Arandu iniciou uma importante ação de inclusão social. Um grupo de 12 custodiados, que participam do programa promovido pela Polícia Penal do Estado do Paraná (PPPR), foi oficialmente integrado à equipe de trabalho do projeto de conclusão das obras do novo campus da UNILA, executado pelo UNOPS, organismo da ONU especializado em infraestrutura. A implementação do programa é fruto de uma articulação direta entre as empresas do consórcio MPD e Ankara UNILA e a Polícia Penal do Paraná (PPPR). Renata Alencar, representante de Recursos Humanos da MPD, destaca que o projeto é vantajoso para todos. “É um caminho de mão dupla, onde nós ajudamos na ressocialização e, ao mesmo tempo, somos ajudados, uma vez que a construção civil tem o desafio constante de buscar mão de obra qualificada”. A meta é expandir gradativamente as pessoas privadas de liberdade no quadro de colaboradores até alcançar 120 trabalhadores na obra da UNILA. A ação atende à recomendação do UNOPS de que 15% da força de trabalho contratada pelo Consórcio MPD e Ankara UNILA, formado pelas duas empresas responsáveis pela obra, seja composta por grupos prioritários. Para garantir um ambiente plural e representativo, essa porcentagem engloba uma ampla diversidade de perfis, entre eles mulheres, pessoas trans, jovens de até 24 anos em seu primeiro emprego, pessoas migrantes e refugiadas, pessoas com deficiência (PCDs) e pessoas egressas ou em cumprimento de pena no sistema penal. Atualmente a porcentagem de trabalhadores dos grupos listados é de aproximadamente 10%. Nesta primeira etapa, os 12 profissionais atuarão nas frentes de carpintaria, topografia e administração. Para Rafael Esposel, gerente de projetos do UNOPS, a iniciativa reflete o propósito da organização de inclusão e promoção dos direitos humanos. “Para o UNOPS, a infraestrutura deve ser um vetor de desenvolvimento inclusivo. Ao estabelecermos metas de diversidade nas contratações, reafirmamos que o sucesso de um projeto não se mede apenas pela obra física entregue, mas pelo legado humano e pelo impacto positivo gerado na vida das pessoas e na comunidade local”, afirma. Antes do início das atividades, os custodiados participaram de capacitações voltadas à integração no canteiro de obras, orientação sobre rotinas de trabalho, normas de segurança e uso adequado de equipamentos. Os trabalhadores contam com transporte, alimentação, acompanhamento técnico especializado e uso obrigatório de equipamentos de proteção individual (EPI), assegurando condições dignas e seguras de trabalho. A chegada dos novos colaboradores também vai ao encontro do compromisso das instituições envolvidas na retomada da obra da UNILA com o avanço dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), incorporando públicos historicamente marginalizados ao mercado de trabalho como forma de fortalecer a cidadania. Para as autoridades da Polícia Penal do Paraná, a oportunidade de trabalho é a ferramenta mais eficaz contra a reincidência. Stênio Couto do Nascimento, diretor da Penitenciária Estadual de Foz do Iguaçu III (PEF III-UP), reforça a missão da unidade. “Se tratarmos o cumprimento da pena apenas como isolamento, corremos o risco de devolver à sociedade uma pessoa pior do que entrou. Nossa missão é a reinserção, e oportunidades como esta oferecem a dignidade de escolher um novo caminho”, pontua. Já Cássio Rodrigo Pompeo, Coordenador Regional da Polícia Penal (PPPR), celebra a quebra de estigmas que a presença dos trabalhadores no canteiro promove. “Muitas vezes, a sociedade só enxerga a tornozeleira eletrônica e esquece o ser humano que busca uma nova chance. Parcerias como esta derrubam barreiras e preconceitos antigos. A empolgação deles em trabalhar é visível”, conclui.

Iniciativas de enfrentamento à violência contra a mulher mobilizam equipes no canteiro do Campus Arandu

Dinâmicas e palestras promovidas pelo UNOPS/ONU integram campanha global das Nações Unidas de 16 dias de ativismo  O canteiro de obras do Campus Arandu, em Foz do Iguaçu, uniu-se à mobilização pelo Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra Meninas e Mulheres, celebrado neste 25 de novembro. As ações foram conduzidas pelo UNOPS, organismo das Nações Unidas especializado em infraestrutura, em parceria com o Consórcio MPD & Ankara UNILA.  A data marca o início dos 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres, um momento instituído pelas Nações Unidas para sensibilizar e mobilizar a sociedade sobre as diversas formas de violência de gênero e incentivar ações de prevenção e enfrentamento. A presença da campanha em espaços como canteiros de obras é especialmente relevante frente a equipes tradicionalmente masculinas.  As atividades realizadas no canteiro do Campus Arandu incluíram uma reflexão interativa, como forma de materializar o compromisso de trabalhadores e trabalhadoras pela igualdade de gênero. No refeitório, foi instalado um painel em formato de árvore com a seguinte pergunta: “Como posso contribuir para o enfrentamento à violência contra mulheres e meninas?”.   Cada pessoa utilizou notas adesivas para preencher os galhos da árvore, compartilhando experiências e frases de apoio. A dinâmica buscou engajar a equipe de forma prática, reforçando que a mudança cultural depende da participação ativa de cada colaborador. “O enfrentamento à violência contra mulheres e meninas é um compromisso que deve ser de toda a sociedade. Por isso, é tão importante marcar essa data e refletir sobre o papel de cada pessoa na construção de um mundo mais seguro”, ressalta Lívia Alen, Oficial de Igualdade de Gênero, Diversidade e Inclusão Social do UNOPS no Brasil.  A atividade também proporcionou um espaço de aprendizado prático sobre questões de gênero para toda  a equipe que atua na obra. Nilton Cézar Júnior, líder de obra do consórcio MPD & Ankara UNILA, avaliou que iniciativas como essa facilitam o diálogo e permitem multiplicar a mensagem de respeito no dia a dia. “Como homem, acho que a importância de estar em um canteiro é promover o combate a qualquer tipo de violência. Em um ambiente onde se tem mulheres e homens trabalhando juntos se cria um local com muito mais respeito”, destacou. Além disso, todas as mulheres que trabalham nas obras do Campus Arandu foram convidadas a participar de uma  roda de conversa conduzida por Maristela Bail, inspetora e coordenadora da Patrulha Maria da Penha em Foz do Iguaçu, acompanhada pela subinspetora Jussara Bettero Duarte e por Fernanda Cristina da Silva, da Guarda Municipal. O grupo detalhou o funcionamento da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) e orientou sobre como acessar a rede de proteção dos direitos das mulheres no município. A palestra despertou reflexões profundas sobre a identificação de situações de abuso que, muitas vezes, passam despercebidas no cotidiano. Cristiane Moreira da Silva Lisboa, enfermeira do trabalho que participou da atividade, destacou o valor educativo da ação ao permitir que as mulheres reconheçam seus direitos. “Essa iniciativa é extremamente importante porque, com certeza, existem mulheres que passam por situações de violência, mas nem sabem que estão passando por isso”, pontuou.  Para Bail, levantar essa discussão é essencial para normalizar a diversidade no setor, pois o respeito é o primeiro passo para um ambiente livre de violência. “É fundamental reconhecer que há mulheres trabalhando na obra e entender o que isso significa. As mulheres estão apenas ocupando seus devidos espaços e não tirando o lugar do homem”, reforçou.