Oficina de escuta empática fortalece lideranças no canteiro de obras do Campus Arandu

Iniciativa reúne encarregados para refletir sobre mediação de conflitos, acolhimento e cultura de respeito no ambiente de trabalho

Laura Lobato conduziu a oficina de escuta empática com lideranças do canteiro de obras do Campus Arandu. Foto: Nathaly Nunes/UNOPS.

Na última quinta-feira, dia 26, o Campus Arandu sediou uma oficina sobre escuta empática voltada às lideranças que atuam no canteiro de obras da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). A atividade reuniu cerca de 20 participantes e foi realizada em uma colaboração entre o Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS), a construtora MPD e a fiscalizadora Nerkpe.

Conduzida pela especialista de Gênero, Diversidade e Inclusão (GDI) da obra, a Dra. Ana Laura Lobato, a oficina teve como objetivo preparar as lideranças para lidar com situações cotidianas de conflito no ambiente de trabalho, promovendo práticas de acolhimento, escuta e encaminhamento adequado dos casos.

Segundo a especialista, um dos principais desafios é superar a tendência de minimizar conflitos ou tratá-los apenas de forma pontual, sem considerar seus impactos. “Essa atividade é uma oficina de escuta empática para as lideranças. A ideia é refletir, a partir de situações cotidianas da obra, sobre como a liderança deve agir para acolher essas situações, sem minimizar ou abafar os conflitos”, explicou Laura.

A iniciativa partiu de uma demanda identificada no próprio canteiro de obras, a partir do cotidiano das equipes. Para a representante do Consórcio MPD & Ankara Unila e coordenadora de Saúde, Segurança e Meio Ambiente, Ivânia Pinheiro, ações como essa contribuem diretamente para a melhoria das relações de trabalho e da comunicação entre os trabalhadores.

“O treinamento de escuta ativa é fundamental para fortalecer a comunicação e melhorar o desempenho das equipes. Quando o líder desenvolve a habilidade de ouvir com atenção, sem interrupções ou julgamentos, ele passa a compreender melhor as necessidades, dificuldades e sugestões dos colaboradores”, pontua. “Além disso, a escuta ativa promove um ambiente de trabalho mais respeitoso e colaborativo, onde os trabalhadores se sentem valorizados e seguros para se expressar.”

Exercícios práticos de reflexão sobre mediação de conflitos

Durante a atividade, os participantes foram divididos em grupos para simular situações do cotidiano do canteiro de obras. A partir desses cenários, a proposta foi refletir sobre como agir diante de conflitos, especialmente em casos que envolvem ofensas ou situações de vulnerabilidade, com base na escuta empática e na comunicação não violenta.

Participantes acompanham a atividade voltada à mediação de conflitos e escuta no ambiente de trabalho. Foto: Nathaly Nunes/UNOPS.

A oficina também abordou a importância de ir além da mediação imediata. Em casos mais graves, como situações de assédio ou discriminação, é necessário acionar os protocolos institucionais da obra para garantir o encaminhamento adequado. Nesse contexto, as lideranças exercem um papel fundamental, mas não atuam sozinhas. O encaminhamento dessas situações envolve diferentes instâncias da gestão da obra, especialmente quando há necessidade de medidas corretivas.

Mudança de cultura no ambiente de trabalho

A iniciativa integra uma estratégia mais ampla de promoção de um ambiente de trabalho respeitoso e inclusivo no canteiro do Campus Arandu. Para Laura Lobato, esse processo envolve uma transformação gradual de comportamento. “A gente está falando de uma mudança de cultura, porque práticas como piadas ofensivas e apelidos pejorativos ainda são muito comuns no dia a dia, mas não podem mais ser normalizadas”, afirmou.

Para os participantes, a atividade trouxe novas perspectivas sobre o papel da liderança na convivência entre equipes. O mestre de obras José Leomar de Lima destacou a importância do diálogo como ferramenta central. “A gente começa sempre com a base, como na obra. E o diálogo é a base nestes casos. Quanto mais as pessoas participam, mais elas vão entendendo. Com a conversa, é possível reduzir conflitos”, afirmou.

Participantes reunidos ao final da oficina no Campus Arandu. Foto: Nathaly Nunes/UNOPS.

Esta foi a terceira edição da oficina desde o início das obras do Campus Arandu. As duas primeiras foram realizadas em 2025, ainda na fase inicial do canteiro. Com o avanço das atividades e o aumento no número de trabalhadores, novas turmas estão sendo formadas. Uma próxima oficina com um novo grupo está prevista para o dia 2 de abril, dando continuidade ao processo formativo das lideranças.

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